O texto inicia colocando que infância e criança são conceitos historicamente e culturalmente construídos e num "olhar de fora" tentamos compreendê-las numa perspectiva unilateral, como são, como se desenvolvem e em que devem se transformar. Outro caminho para compreendê-las é a partir de suas experiências vividas na história, numa relação de alteridade.
Para entender a relação entre criança, infância e educação o texto traz um pouco da trajetória. conforme Ariès, na idade medieval não existia o sentimento de infância ( consciência da particularidade infantil que distingue a criança do adulto). Assim que a criança superava o período de alto nível de mortalidade passava a integrar a sociedade dos adultos. Nesse período a educação das crianças era ignorada.
Nos séculos XVI e XVII os adultos começaram a ver nas crianças ingenuidade, gentileza e graça e a criança se misturava aos adultos por volta dos cinco ou sete anos.
No séc. XVIII, sob influência dos moralistas- homens da lei e religiosos - a criança passou a ser vista como um ser inocente, frágil, imaturo e incompleto a ser preparado para a vida adulta. a educação passou a ocupar um lugar central na educação das crianças para v irem a se tornar homens racionais, morais e cristãos.
No séc. XX, a criança é separada da sociedade dos adultos e a escola assumiu o papel de oferecer educação moral e intelectual às crianças para serem adultos intelectualmente preparados e moralmente educados.
Postman defende a tese de que a infância como a conhecemos hoje está desaparecendo. Defende três grandes momentos: Com o advento da tipografia temos a invenção da infância; no séc. XIX, o auge, quando a criança é considerada essencial à família e o desaparecimento da infância com o surgimento do telégrafo.
A tipografia criou um mundo em que o acesso é permitido aos letrados e para a criança entrar no mundo adulto, precisa conquistar o mundo letrado. A escola foi o espaço criado para abrigar a infância e formar adultos intelectualmente instruídos e moralmente educados sob condições e perspectivas estabelecidas pelos adultos.
Na educação das crianças o caminho já está traçado com um ponto de partida e outro de chegada. O primeiro relacionado à preparação da criança para a vida adulta e o segundo para a sua inserção no mercado de trabalho, não participando a criança do processo de construção da cultura e dos valores, apenas absorvendo-os.
Faz-se necessário romper alguns paradigma historicamente construídos a respeito da criança de tal forma que possamos nos encontrar com o outro que existe em cada ser humano, ouvir a sua voz e abrir a possibilidade de um encontro com a alteridade da criança. Fazer a opção de ao invés de apresentarmos o mundo a elas com nossos olhos, abrir espaço para que elas se manifestem e nos apresentem o seu mundo.
Referência Bibliográfica:
GALVÃO, Andréa Studart Corrêa. Educação Moral e Qualidade na Educação Infantil: Desafios ao professor. Dissertação de Mestrado. Adapt, Brasília, UnB: 2005.
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